A seguir, transcrevemos quatro casos
de viradas de mesa no grupo principal das escolas de samba nas décadas de 80-90.
Por:
Fábio Ponso e Gustavo Villela
FONTE:
O GLOBO
IMPÉRIO SERRANO e VILA ISABEL, 1981 - No carnaval deste ano, as escolas
da Serrinha e do bairro de Noel terminaram a apuração rebaixadas, mas a
Associação das Escolas de Samba e a Riotur resolveram mantê-las na elite.
"O carnaval é a maior verdade da cultura popular. A Império Serrano é uma
escola tradicional e a Vila tem feito lindos carnavais. Não acho que mereçam a
frieza de um regulamento. As duas estão à altura do primeiro grupo e eu não me
conformo que desçam", declarou ao GLOBO de 13 de março de 1981 o
presidente da Riotur João Roberto Kelly. Beneficiado pela decisão, o Império
Serrano apresentou em 1982 o memorável "Bumbum paticumbum
prugurundum" e ganhou seu último título no grupo principal.
IMPERATRIZ e CABUÇU, 1988 - Ao final do carnaval do centenário
da abolição, vencido pela Vila Isabel, com o antológico "Kizomba, festa da
raça", a Imperatriz Leopoldinense e a Unidos do Cabuçu terminaram nas
últimas colocações, mas tiveram sua participação garantida no desfile de 1989
graças à Liesa. Na ocasião, a perda de pontos em cronometragem levou a escola
de Ramos, do influente bicheiro Luizinho Drummond, ao último lugar. A entidade,
no entanto, responsabilizou-se pelo atraso da verde e branco, causado pela
queda de um fio de alta tensão durante a passagem da escola anterior, a União
da Ilha, e optou pelo não rebaixamento da agremiação, junto com a Cabuçu. Tal
como o Império em 1982, a Imperatriz realizou no ano seguinte um desfile épico:
com "Liberdade, liberdade, abra as asas sobre nós", uma exaltação ao
centenário da Proclamação da República, superou o revolucionário "Ratos e
urubus" da Beija-Flor e sagrou-se campeã.
CAPRICHOSOS e UNIDOS DA PONTE, 1993 - Neste ano, as escolas de Pilares
e de São João de Meriti, esta comandada pelo então deputado Paulo de Almeida,
presidente da Liesa, foram as beneficiadas pelo descumprimento do regulamento.
Sob a justificativa de que os desfiles com sete escolas por dia terminariam
muito cedo, a Liesa, reunida em plenária, anunciou decisão favorável à manutenção
na elite das duas últimas colocadas. Pouco antes da decisão, a Caprichosos de
Pilares apresentara recurso contra a Grande Rio, acusada de ter articulado um
esquema de aliciamento de jurados para prejudicá-la. Segundo alguns dirigentes
da Caprichosos, que garantiram ter fitas gravadas comprovando as
irregularidades, a decisão da Liesa de não rebaixá-la (junto com a Unidos da
Ponte) teve o objetivo de agradar a todos, abafando a denúncia contra a escola
de Caxias e evitando o julgamento do recurso.
IMPÉRIO SERRANO e UNIDOS DA PONTE, 1994 - Denúncias de fraude no julgamento
do segundo grupo de 1993, que a princípio impediriam a ascensão de São Clemente
e Villa Rica (obtida na justiça), levaram a Liesa a decidir antecipadamente
pela manutenção do grupo especial das rebaixadas de 1994, Império Serrano e
Unidos da Ponte, esta ainda sob o comando do presidente da Liesa Paulo de
Almeida.
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