2016-08-05

Aptidões pessoais na preparação de Escola de Samba

05/08/2016
CADA MACACO NO SEU GALHO
(ditado popular)
          Esse vídeo deixa claro que o caminho a ser seguido é, na verdade, o mais simples e natural de todos: aproveitar as habilidades de cada profissional.

          Nem todo carnavalesco  escreve, nem todo carnavalesco desenha, é sabido. Carnavalesco concebe e desenvolve o carnaval a ser apresentado no momento do Desfile. 

          A Acadêmicos do Sossego e Acadêmicos  do Cubango seguem a mesma linha.

          Assim, a verde e branco possui o enredo "Versando  Nogueira nos Cem Anos do Ritmo que é Nó na Madeira"  teve a sinopse elaborada pelo jornalista e  escritor FÁBIO FABATO e terá o desenvolvimento realizado pelo carnavalesco CID CARVALHO. 

          Na Sossego, MARCIO PULUKER desenvolverá o enredo que foi escrito e pesquisado por JÚLIO  CESAR FARIAS, cujo tema é “ZEZÉ MOTTA, DEUSA DE ÉBANO”.

          Quem sabe lidar com textos, pesquisa e escreve; quem sabe lidar com tecidos, plumas e pedras, cria fantasias e carros alegóricos.

          Ou  seja: o básico do básico.

          Ou você quer que o pedreiro faça a planta baixa e o arquiteto embosse a parede da sua casa? Marceneiro cuidando da hidráulica tem tudo pra dar errado...

          Abraços.



Perguntas que continuam sem respostas - Luis Carlos Magalhães



 
          Gostaria de compartilhar com os leitores das postagens que faço nesse BLOG do link do texto completo do Professor, radialista, cronista, colunista, etc. LUIS CARLOS MAGALHÃES, que acessei no último dia 27/06/16 e foi postado pelo autor em seu BLOG há exatos 14 meses (5 de junho de 2015), em uma sexta feira como essa que ora inicia. 

          No texto o gabaritado e experiente estudioso do assunto SAMBA/CARNAVAL discorre sobre suas impressões acerca do debate que presenciara com especialistas em desfiles de Escolas de Samba como HIRAN ARAÚJO, LAÍLA, MILTON CUNHA, entre outros promovido à época por um jornal carioca.

          Gosto muito de alguns trechos, em especial quando faz a seguinte constatação:


          O público estrangeiro não conhece nossa história, não tem o menor compromisso com as tradições brasileiras e não conhece a nossa língua. Para que o espetáculo lhe seja atraente tem que ser um espetáculo visual com predominância das artes plásticas sobre os valores do samba tradicional.


          Mas o que realmente nos faz refletir – e daí minha necessidade de divulgar textos como esse, vez que a finalidade de nosso BLOG é exatamente pensar e repensar os desfiles e o carnaval para encontrarmos uma “fórmula ideal” para a cidade de Niterói – são as indagações que apresenta sobre o tema, sendo as mesmas:



          "Mas e se não for assim. E se o que é mais importante em um desfile de escolas de samba for a preservação da cultura brasileira, da história de sua gente? E se muito mais do que isto o desfile significar uma forma de uma parte de o povo brasileiro brincar o carnaval a sua maneira? (...)

          E aí eu fico me perguntando: afinal quem é o dono do carnaval? Quem é que estabelece qual é, afinal, sua essência? Tem que ser dançado e cantado e sambado com a alegria própria do carnaval ou sua essência é ser transformado em um produto atraente para platéias estrangeiras?

          Será que o desfile das escolas de samba é para ser concebido, embrulhado e vendido tal como um pacote de rapadura, “visualmente melhorada”, para ser um item a mais na pauta de exportações brasileiras? Tal como foi o açúcar um dia, o café depois?

          Afinal quem é que determina que o visual prevaleça? Quem determina que as escolas cometam o supremo exagero de desfilar com 4000 pessoas? Quem é que determina que a bateria tenha andamento tão acelerado, que o samba seja mediocremente marcheado?

          De onde sai a “mensagem” determinadora do paradigma da perfeição.

          Ou seja: que todo erro deva ser punido, tal como fazem os sargentos do 3° R.I. com seus soldados que erram no 7 de setembro?

          Não tardará o dia em que o dirigente puxará a orelha do sambista: “aqui não é lugar para se divertir; aqui é lugar de ser disciplinado”.

          De que maneira é formada a cultura determinadora de que as alas de passistas - das maiores atrações de todos os carnavais - fiquem escondidas atrás do carro de som tirando do alcance do público um momento tão formidável da festa?"

 
          Vale a leitura completa do texto Qual o Carnaval que queremos?, disponível em http://luiscarlosmagalhaes.blogspot.com.br/2015/06/qual-o-carnaval-que-queremos.html

2016-08-04

DATAS, PROCEDIMENTOS e DEFINIÇÃO DE ATRIBUIÇÕES - Texto de R.Morgado



INTRODUÇÃO

          Recentemente postamos texto com base em indicação bibliográfica do Livro Desfile na Avenida, trabalho na escola de samba, de Leila Maria da Silva Blass feita pelo Professor Jardel Augusto Lemos. Em uma a das transcrições realizadas naquela abordagem destacávamos a parte onde se era ressaltada a “multiplicidade e pluralidade de saberes e de fazeres artísticos(...) apresentando a produção e o desfile de carnaval sempre um caráter coletivo” (p.102)

          Face a esse caráter coletivo para a produção de um desfile de carnaval,  da multiplicidade de saberes, é que há muito somos adeptos da instituição de comissões de carnaval. Essa é uma necessidade tanto nas grandes Escolas de Samba, como as que integram o Grupo Especial, bem como consideramos indispensáveis nas de menor porte e que contam com pessoas que colaboram de forma gratuita.

          Uma dificuldade constante é a sobreposição de funções que culmina com a imperfeita ou inacabada realização de determinadas tarefas. Assim, muito importante se faz a especificação de atribuições dentro de cada setor correspondente e para cada membro da Comissão.

COMUNICAÇÃO DOS FEITOS e DIVULGAÇÃO DAS DATAS E ATIVIDADES

          Poucas agremiações de pequeno porte, como as da cidade de Niterói, contam com um departamento de comunicação social efetivo, destacando uma série de pessoas em momentos específicos para prestarem informações, fornecerem dados, veicular e informar aos órgãos públicos e imprensa em geral de seus eventos e suas atividades o que prejudica, sobremaneira, a divulgação do que se pretende.

          Acabamos de identificar tal situação em uma Agremiação, onde a divergência de datas encontradas nos POSTS ”institucionais” da referida rede social facebook fez-nos encaminhar ao membro que divulgava ambas postagens mensagem particular  onde perguntamos qual a data exata da escolha do samba-enredo. Ambas postagens informavam 3 datas: Entrega dos sambas, apresentação e Grande final. Tanto as datas apresentadas para a Entrega dos sambas pelos compositores quanto a Apresentação estavam em sintonia (01/09/16 e 11/09/16, respectivamente). Porém a Grande final possuía, cada banner postado, uma data (no caso 25/09 e 28/09). (Até a postagem desse texto não havia nos retornado)

 

ELEMENTOS TEXTUAIS DOS ENREDOS

          Também é importante verificar quais são os responsáveis pela definição, desenvolvimento e apresentação do enredo. Presidência? Carnavalesco? Comissão de Carnaval? Interessante a abordagem feita por Anísio Abraão David ao Pesquisador Luiz Carlos Prestes Filho (em O Maior espetáculo da Terra, p.36) quando afirma:


“Tínhamos um Joãosinho Trinta, que criava bastante. Hoje eu tenho medo dos carnavalescos, porque o carnavalesco hoje não faz mais nada. Sozinho, não faz mais nada, como faziam esses profissionais de antigamente. Tem de ter equipe.”

         
          Conclui o Anísio:


“Neste momento que me dei conta de que se minha equipe funcionava, seria melhor criar uma Comissão de Carnaval. Esta foi uma grande inovação. Mas, nem todas as Escolas tem uma equipe. Uma equipe forte é fundamental. Todos os carnavalescos que eu convidei, botei pra trabalhar com a Comissão de Carnaval da Beija-Flor”


          É importante ouvirmos o depoimento do patrono da Beija-Flor pois é considerado pela maioria dos estudiosos em gestão/gerência de Escolas de Samba como sendo o administrador responsável pela profissionalização das grandes Agremiações. Afirma-se que as outras Escolas de Samba não tiveram outra alternativa senão a de seguir a metodologia de trabalho encontrada na Beija-Flor, marcando a passagem do período “artesanal” para o de profissionalização.
 
          O diretor de carnaval da Beija-Flor, Laíla,  em depoimento ao SRZD-Carnaval trata da comissão de carnavalescos da Beija-Flor e ratifica a ideia de que “Uma única pessoa não é a responsável por fazer o carnaval como é hoje”. Ressalta a vantagem de se ter uma COMISSÃO DE CARNAVAL.(link do vídeo abaixo)

          Após a fase de DEFINIÇÃO do Enredo, seja essa tarefa da Presidência, Carnavalesco ou Comissão, é comum identificarmos a presença de técnicos para a pesquisa e redação dos textos ligados ao enredo. Sobre essa situação até mesmo redigimos texto para nos redimir da ausência de citação ao mestre JULIO CESAR FARIAS na parte de pesquisa e redação do enredo definido pela Acadêmicos do Sossego. Havíamos feito no campo de comentários do Youtube elogios a forma de abordagem e qualificação dos comentaristas (Luiz Fernando Reis, Rachel Valença e Hélio Ricardo Rainho). Nossa abordagem deixara naquele primeiro momento de citar aquele que fora o responsável pela pesquisa e redação da sinopse, tão elogiada pelos membros da equipe do SRZD (o vídeo e o comentário podem ser vistos na postagem

CONCLUSÃO

          Sobre esse trabalho de pesquisa que antecede a apresentação ao público em geral, o estudioso Júlio Cesar Farias já havia se debruçado na obra até mesmo transcrevemos a primeira parte na postagem citada acima (http://carnaval2016niteroi.blogspot.com/2016/07/desculpe-me-pela-injustica-mestre-texto.html) .

          Hoje, 04/08/16, outra importante Agremiação da cidade de Niterói fará a entrega da sinopse aos compositores. A apresentação do Enredo pela dupla de carnavalescos da atual Bi-campeã do carnaval na cidade de Niterói seguiu o formato sugerido por Farias no Tópico APRESENTAÇÃO A DIRETORIA.

       Torcemos para que a fase de APRESENTAÇÃO AOS COMPOSITORES também siga, ao menos em parte, as orientações do mestre Julio Cesar Farias.

          Terminamos essas poucas transcrevendo os pontos 1.5.3 e 1.5.4 da obra ENREDO NAS ESCOLAS DE SAMBA e aproveitando para renovar os desejos de plena recuperação da recente cirurgia pela qual passou o estudioso do carnaval, autor do texto abaixo.


1.5.3 - Apresentação a Diretoria

          Com o enredo definido, o carnavalesco, em reunião, apresenta-o detalhadamente a Diretoria da Escola, mostrando as possibilidades de seu desenvolvimento no desfile. Em sua explanação, o carnavalesco procura convencer o setor administrativo a abraçar o tema daquele ano para a disputa no concurso oficial. É necessária a aprovação de todos os setores da agremiação para que o enredo seja bem desenvolvido pela Escola.

          Tal reunião para apresentação do enredo ocorre mesmo se o enredo em questão for determinado pela referida Diretoria. Cabe ao carnavalesco e seus auxiliares pesquisarem o tema e depois apresentá-lo aos demais segmentos da Escola.



1.5.4 - Entrega da Sinopse aos Compositores

          Os compositores da respectiva ala da Escola são convocados a comparecer em local determinado pela agremiação para que lhes seja entregue a sinopse do enredo. Nesta reunião, que pode ou não ser aberta para compositores de fora da agremiação, o carnavalesco e/ou Diretor de Carnaval procura explicar todos os pontos referentes ao enredo, colocando-se, depois, a disposição dos mesmos para sanar eventuais dúvidas sobre o tema.

          Tal explanação do enredo para os compositores torna-se importantíssima devido ao fato de muitos carnavalescos ainda terem dificuldade em elaborar a sinopse do enredo. Ha, inclusive, sinopses com falhas gravíssimas em sua elaboração. As explicações do carnavalesco nessas reuniões são, portanto, fundamentais e necessárias para diminuir equívocos dos compositores na elaboração do samba-enredo.

          Nesta palestra, também são dados os prazos de entrega dos sambas gravados, com as respectivas letras, para que possa ser feita a triagem dos sambas concorrentes que estejam mais de acordo com o enredo.

 

No CCCRJ com Maçu, Luana, Prof.Jardel e Sérgio Gramático



LIVROS, LIVROS, LIVROS...

          Tão bom se ao comprar os livros comprássemos também o tempo para lê-los. (Autor Desconhecido)


          Se tem uma coisa que desde a tenra idade me dá prazer é ler. Ler para mim, ler para os outros, ler por ler...
          A base de meu ganha-pão é a leitura. Leio para falar e escrever bem. Sou advogado e professor. Não tenho tempo de ler tudo que quero. Cancelei a assinatura do jornal a Folha de São Paulo na quinta-feira última por causa disso. A mocinha do call-center me ligou ontem. Tô cansado de explicar para eles(da Folha) porque eu cancelei... Me angustia o jornal que tem como colunistas Ferreira Gullar, Ruy Castro, etc. se acumular na bancada da sala. Fui indelicado dessa vez. Não costumo ser indelicado com mocinhas de call-center só que no dia anterior foi uma chatice para efetuar o cancelamento. Anotei o Protocolo dessa vez. Não costumo anotar protocolos das chamadas de call Center.
          Hoje descobri um novo lugar que tem livros que não são fáceis de encontrar e cuja referência tinha apenas devido a lista disponibilizada pelo site GALERIA DO SAMBA com mais de 200 obras sobre carnaval/samba.
Hoje conheci o Centro Coreográfico da Cidade do Rio de Janeiro.
Em visita Guiada pelo Professor Jardel Lemos adentrei na MIDIATECA do Complexo de Dança Carioca. Não é BIBLIOTECA pois, além de livros, tem também no acervo variados registros em diversas mídias.
          Localizada no 3º andar do Centro Coreográfico da Cidade do Rio de Janeiro (Rua Humaitá 115, Tijuca), é espaço de pesquisa e memória da Dança através dos registros feitos em livros, revistas, folders, DVD´s, publicações e vídeos, muitos ainda em fitas VHS. Possui um computador para visualização de arquivos digitais.
          Em visita ao local neste sábado nos recebeu a simpática funcionária LUANA GARCIA.
          Com extrema gentileza para com os visitantes, ao perguntarmos sobre livros específicos sobre CARNAVAL e/ou SAMBA apressou-se em buscá-los na prateleira.
          Apresentou-me a obra MAÇU DA MANGUEIRA – O primeiro mestre sala do samba.


          Nunca tive acesso a um exemplar da mesma e fiquei feliz ao identificar em pesquisa eletrônica que a Editora está em atividade e o autor escrevera outra obra sobre dançarinos de carnaval. Folheei o exemplar e o desejei. Mas como nem tudo que queremos se pode ter... Não existem exemplares a venda nos lugares que nunca me decepcionaram quando compro meus livros.

 

Pela primeira vez os sites Estante Virtual e BUSCAPÉ me deixaram na mão


        
          Hoje, o pouco que sei de Maçu deve-se a pesquisa feita na madrugada após a visita ao CCCRJ.

          É a blogueira de um jornal mineiro que transcreve o que encontrara em um BLOG de BRUNO RIBEIRO e que não se encontra mais disponível.
(http://botequimdobruno.blogspot.com/2008_06_01_archive.html)
          Da transcrição consta que Maçu fora um dos primeiros moradores do morro da Mangueira e junto com “jovens tão encrenqueiros quanto ele” fundam o bloco dos Arengueiros, por volta de 1923. Foi Cartola, exercendo sua liderança no morro, quem pedira o fim da baderna no Carnaval, clamando por respeito aos sambistas. Maçu está entre os sete fundadores da Verde e Rosa e Carlos Cachaça, de quem foi amigo, contava que Maçu era o responsável por garantir a segurança dos “encrenqueiros”, sendo certo que diziam que Maçu nunca fora derrubado numa roda de pernada e, por ter sido ele o mais valente dos arengueiros (Bloco que participara e deixara de existir com a fundação da Escola de Samba), foi ele o escolhido para ser o guardião do estandarte da Agremiação.
          Assim, transcreve: “Em janeiro de 1929, no lendário desfile de Engenho de Dentro, inova o bailado do baliza e leva para a avenida, pela primeira vez, a figura imponente do mestre-sala. O impacto de sua aparição foi tão grande que nenhuma outra Escola, a partir de então, poderia conceber o desfile sem aquele personagem.
          Pouco mais diz o texto, mas ressalta sua importância na Agremiação, sendo ele até mesmo o Presidente que mais tempo ficou à frente da Estação Primeira de Mangueira: 17 anos.
         
          Maldita curiosidade! Quero agora saber quem era esse sujeito que além de “bom de porrada” dançava com a leveza indispensável ao que hoje chamamos de mestre-sala.
          O que me reconforta é que agora sei que Luana irá deixar-me ler um pouco mais sobre ele, assim que novamente for ao CCCRJ, o que pretendo fazer em breve, muito breve.*


*         A MIDIATECA no momento realiza um novo (ou refaz, não sei ao certo) o cadastramento/catalogação do acervo, mas a funcionária responsável  deixou claro que o espaço permanecia aberto ao público de terça a sexta-feira, das 10 ás 18hs (aos sábado é de 10 ás 16hs). Assim, qualquer um pode ter acesso ao conteúdo do acervo (cujo manuseio e/ou leitura deve dar-se no próprio local, sendo vedado a retirada de quaisquer dos itens).